Le début d’un temps nouveau.

Olá. Este é meu primeiro post. Por razões que devem ser claras à maioria dos leitores – e, se não o forem, podem me perguntar e eu explico -, escrevo neste blog com um pseudônimo: Mateus Silva. Um dia, quem sabe, escreverei com meu nome verdadeiro. Tenho mais ou menos 30 anos. Sou católico praticante. O que significa ser “católico praticante”? Não sei ao certo. É possível que alguns católicos não me considerem praticante. Em contrapartida, é possível que outros me considerem um católico fundamentalista. Tudo depende do ponto de vista. O certo é que vou à missa todos os domingos e, às vezes, durante a semana, ainda que não comungue sempre e ainda que passe semanas sem me confessar. Sou um pecador. Faço oração todos os dias. Rezo o terço algumas vezes por semana. Acredito na verdade e na razoabilidade da doutrina da Igreja Católica, inclusive no que diz respeito a sexo e relacionamentos.

Até aí, não há nenhuma novidade. O Brasil é um país católico – embora cada vez mais evangélico, é verdade. Com toda certeza, vocês conhecem outros católicos. No entanto, além de ser católico, tenho o que chamaria de “sexualidade difusa” ou “desvio de afetividade”. Ok. Não sei se vocês já ouviram essas expressões. Poderia dizer simplesmente que sou gay, mas prefiro (neste momento) não fazê-lo, por duas razões. A primeira e mais importante é que embora meu desejo sexual seja orientado para homens, ele não é exclusivamente orientado para homens. Meu desejo sexual não é “exclusivamente homossexual”, mas “predominantemente homossexual” (talvez, sei lá, nível 3 ou 4 na escala Kinsey). Voltarei a isso mais tarde. A segunda é que a identidade gay parece carregar consigo alguma forma de afirmação. Por conta disso, nunca sei ao certo se um homem está usando o adjetivo gay com um sentido meramente descritivo ou se há também um sentido normativo. Não vejo nenhum problema em alguém dizer “oi, eu sou gay”, mas, no meu caso, isso seria apenas um adjetivo descritivo. Não quero me afirmar como gay diante do mundo (também voltarei a isso mais tarde).

Muito bem. “Então, você é católico e gay? Hah, isso é impossível”. Pois é. Isso é o que todo mundo pensa, e por “todo mundo” me refiro mesmo a quase todo mundo, de gays a católicos, de liberais a conservadores. É sobre isso que eu escrevo. Tenho a convicção de que, no Brasil e alhures, existem muitos homens e mulheres, que, ainda que com graus variados de desvio de afetividade, não desejam ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. São homens e mulheres que respeitam os gays, mas que, de forma legítima e razoável, optaram em suas consciências por não levar um modo de vida gay. Por quê? As razões são inúmeras. Por não quererem ofender a Deus. Por acreditarem em algum tipo de ordem transcendente. Por quererem viver em equilíbrio com a “gramática da Criação”. Por achar que o modo de vida gay é infeliz. Por não se sentirem moralmente realizados numa relação homossexual. Embora a minha experiência pessoal envolva uma cosmovisão católica, sei que muitas pessoas com desvio de afetividade não são religiosas e, mesmo assim, não querem ter relações homossexuais. Não há, aqui, nenhum juízo negativo sobre quem tem relações homossexuais. Apenas defendo que é legítimo querer não tê-las.

Se você vive uma situação parecida com a minha, lembre-se: você não está sozinho(a). Até o próximo post.

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