Inseguranças

Ontem, assisti uma palestra sobre o namoro. O palestrista era muito bom. Ele é católico praticante, casado e pai de cinco filhos. Em pouco mais de uma hora e meia, falou sobre sua experiência de namoro, os fins do namoro, dificuldades, dicas, etc. Embora tenha gostado bastante e concordado com quase toda a palestra, algumas falas do palestrista me deixaram inseguro sobre meu próprio namoro. Isso porque, como eu já disse em outros posts, tenho uma orientação predominante, embora não exclusivamente homossexual. O palestrista falou sobre a importância do sexo após o casamento. O sexo une o casal e é muito importante para ajudar os cônjuges a superar as incontáveis dificuldades – financeiras, emocionais, profissionais – pelos quais ambos vão passar. Ao ouvir isso, não pude deixar de pensar: será que, após nos casarmos, poderei oferecer à minha namorada relações sexuais satisfatórias?

É impressionante a recorrência com que me faço esta pergunta. No fundo, bem no fundo, creio que a resposta é sim. Tenho algumas evidências para isso. Do ponto de vista afetivo, minha orientação é mais hetero do que homossexual. Sinto e já senti atração física por meninas. É verdade que é uma atração diferente da que sinto por homens. Falando em termos estritamente sexuais, a atração que sinto por homens é maior do que a que sinto por mulheres. Mas, de modo geral, mulheres me atraem mais.

No entanto, quando ouvi o palestrista, ontem, enfatizar a importância do sexo para a união de um casal, não pude deixar de ficar inseguro. A insegurança aumentou um pouco hoje, quando, na terapia, meu terapeuta me disse que a satisfação sexual é uma condição necessária para um casamento dar certo (ao menos nos dez primeiros anos).

Por vezes, essa insegurança se agrava pelo fato de eu viver a castidade. Não estou dizendo que a castidade seja o problema (o problema sou eu, é claro). Por ter uma orientação sexual “difusa”, a sublimação dos impulsos sexuais faz com que, às vezes, eu não saiba se a atração sexual que sinto por minha namorada é suficiente. Se não posso dar vazão a meus impulsos sexuais com ela agora, como saber se eles serão suficientes para depois do casamento? É verdade que, embora vivamos a castidade, em alguns momentos já avançamos mais do que devíamos. Como diz um amigo meu, pensemos num contínuo de 0 a 1, onde 0 equivale a um beijo sem língua e 1, a sexo. Eu e minha namorada nunca chegamos a 1, mas já passamos de 0 algumas vezes. Alguns desses momentos de excesso me fizeram crer que sim, sinto considerável atração física e sexual por ela e, portanto, isso não seria um entrave para nossa relação.

Mas a insegurança sempre volta. E, junto com a insegurança, sempre me pergunto também se e quando devo contar a ela sobre meu desvio de afetividade. Ao contrário do meu terapeuta, que acha que eu nunca deveria contar e que isso acabará com nosso namoro, acho que devo, sim, contar a ela. Só não sei quando. Nós namoramos há mais ou menos sete meses e penso em lhe contar apenas depois de um ano de namoro. Dizer a minha namorada que tenho um desvio de afetividade será muito difícil, ainda que seja necessário. Mas será que diminuirá minha insegurança?

 

 

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