Regnerus sobre mudanças no casamento

Esses dias, li um texto muito interessante de Mark Regnerus, sociólogo da University of Texas at Austin. Embora tenha sido escrito em 2013, parece-me não ter perdido a relevância. Basicamente, trata-se de uma reflexão sobre os possíveis impactos do casamento gay sobre o casamento tradicional. Recomendo a leitura e transcrevo, abaixo, um trecho instigante:

“The terms of contemporary sexual relationships favor men and what they want in relationships, not just despite the fact that what they have to offer has diminished, but in part because of it. The supply of marriageable men (but not women) has shrunk—for lots of reasons left unexplored here—leaving the balance of those who are more marriageable (e.g., more educated, wealthier, more stable) with more power than ever before to realize their wishes in their relationships. Meanwhile, women no longer need marry to thrive, but most still wish to marry. As a result, women find themselves in a weaker position in the marriage market, competing with other women for desirable men.”

 

 

 

Standard

Pode um gay deixar de sê-lo?

A pergunta que dá título a este post ganhou um status importante na atual Kulturkampf. Embora a questão já esteja há tempos em relevo nos EUA  e em outras democracias ocidentais, ela vem ganhando destaque também no Brasil. A nomeação do pastor Marcos Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), bem como a polêmica envolvendo o PDC 234/2011 (equivocadamente rotulado de “projeto da cura gay”),  fizeram com que a questão sobre se um gay pode deixar de sê-lo adquirisse importância no debate público nacional. Dada, pois, a importância do tópico, sobretudo para aqueles interessados no debate sobre a orientação homossexual, gostaria de dedicar a ele algumas linhas. Adianto que o tema é muito complexo e que meu objetivo não é senão o de oferecer uma breve reflexão. Espero tratar mais dele em posts futuros.

Continue reading

Standard

O budismo e a identidade gay

Fazendo parte da classe média paulistana, e, mais, daquela parte supostamente intelectualizada, conheço muitas pessoas com aversão à Igreja Católica. A Igreja é vista como uma instituição atrasada, retrógrada, obscurantista, etc. É claro que aqueles que têm um pouco mais de informação reconhecem a importância dela para a história da civilização ocidental. Porém, mesmo esses não nutrem, em geral, simpatias pela Igreja.

Continue reading

Standard

Homossexual não praticante

Como já disse em outros posts, tenho um desvio de afetividade (DdA). Não sei se conseguirei ter um relacionamento de longo prazo com uma menina. Não sei se sinto atração sexual suficiente por meninas para me relacionar com elas. No entanto, sei que meu DdA é, digamos, moderado. Ainda que meu desejo sexual esteja voltado predominantemente para homens, minha orientação afetiva como um todo não está. Em contrapartida, há homens cuja afetividade está, como um todo, voltada para outros homens – e, é claro, mulheres que vivem a mesma coisa.

Se, no meu caso, um casamento com uma mulher ainda é (acho) uma possibilidade, há homens para os quais, talvez, essa possibilidade nem mesmo exista. Talvez, para um homem cuja afetividade está exclusivamente orientada para outros homens, o único tipo de relacionamento possível seja o homossexual. Se esse homem for católico, ou, por qualquer outra razão legítima, não considere a relação homossexual uma opção, o que lhe resta é viver o celibato.

Continue reading

Standard

Pourquoi je suis un progressiste

These days, I read a column by Thomas Friedman from October 2012 titled “Why I am Pro-Life“. Since (I think) he is a left-wing democrat, the title draws attention. But what exactly is Friedman trying to say? According to him, one cannot claim to be himself ‘pro-life’ and be against common-sense gun control, social policies to the most disadvantaged, etc. etc. Thus, Friedman is saying that he is presumably more “pro-life” than many alleged “pro-life” republicans.

Continue reading

Standard

On celibacy and sexuality.

Aaron Taylor escreveu um post excelente no Spiritual Friendship. Leiam. É sério, leiam. Ainda estou refletindo sobre o que li, mas, desde já, recomendo a leitura. Transcrevo abaixo um trecho significativo:

“The opportunity to express oneself as a sexual being is not, therefore, limited to engaging in physical sexual activity, and a commitment to celibacy is not the same as repressing one’s sexuality. John Paul II’s catechesis on human sexuality—the “Theology of the Body”—makes clear that marriage and celibacy are not opposed to one another as sexual expression is opposed to repression. They are rather two different modes of living one’s sexuality in a healthy and godly manner.”

Standard

D’abord, on s’explique.

Tenho um desvio de afetividade. Porém, não me considero gay. Por que usar uma expressão e não a outra? Expliquei rapidamente a questão em meu primeiro post, mas ela é bem complicada e, portanto, gostaria de explicá-la melhor. Apenas uma ressalva: é muito mais fácil dizer “eu sou gay” do que “eu tenho um desvio de afetividade”. Então, for the sake of brevity, posso me referir a mim mesmo como gay. Mas, repito, não me considero gay. Por quê?

Continue reading

Standard

Le début d’un temps nouveau.

Olá. Este é meu primeiro post. Por razões que devem ser claras à maioria dos leitores – e, se não o forem, podem me perguntar e eu explico -, escrevo neste blog com um pseudônimo: Mateus Silva. Um dia, quem sabe, escreverei com meu nome verdadeiro. Tenho mais ou menos 30 anos. Sou católico praticante. O que significa ser “católico praticante”? Não sei ao certo. É possível que alguns católicos não me considerem praticante. Em contrapartida, é possível que outros me considerem um católico fundamentalista. Tudo depende do ponto de vista. O certo é que vou à missa todos os domingos e, às vezes, durante a semana, ainda que não comungue sempre e ainda que passe semanas sem me confessar. Sou um pecador. Faço oração todos os dias. Rezo o terço algumas vezes por semana. Acredito na verdade e na razoabilidade da doutrina da Igreja Católica, inclusive no que diz respeito a sexo e relacionamentos.

Continue reading

Standard