A Polêmica entre Austin Ruse e os New Homophiles

Há, nos Estados Unidos, um número crescente de gays católicos se engajando no debate público. Suponho que isso não seja motivo de espanto. Havendo mais de 70 milhões de americanos católicos, é natural que um percentual desse total tenha uma orientação homossexual. Dada, também, a saliência que o debate sobre a homossexualidade e os “direitos gays” vem ganhando nos últimos tempos, é natural que esse grupo seja levado a se manifestar. E sendo um sub-grupo marginalizado tanto por gays, quanto por católicos, é compreensível que ele procure, por assim dizer, marcar posição. De minha parte, acho isso bastante saudável. Ocorre que essa posição vem ganhando relevo e gerando debates interessantes. Um debate, em particular, chamou-me a atenção. Vou resumi-lo aqui, dando, sempre que cabível, minha própria opinião sobre a questão.

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Homossexual não praticante

Como já disse em outros posts, tenho um desvio de afetividade (DdA). Não sei se conseguirei ter um relacionamento de longo prazo com uma menina. Não sei se sinto atração sexual suficiente por meninas para me relacionar com elas. No entanto, sei que meu DdA é, digamos, moderado. Ainda que meu desejo sexual esteja voltado predominantemente para homens, minha orientação afetiva como um todo não está. Em contrapartida, há homens cuja afetividade está, como um todo, voltada para outros homens – e, é claro, mulheres que vivem a mesma coisa.

Se, no meu caso, um casamento com uma mulher ainda é (acho) uma possibilidade, há homens para os quais, talvez, essa possibilidade nem mesmo exista. Talvez, para um homem cuja afetividade está exclusivamente orientada para outros homens, o único tipo de relacionamento possível seja o homossexual. Se esse homem for católico, ou, por qualquer outra razão legítima, não considere a relação homossexual uma opção, o que lhe resta é viver o celibato.

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D’abord, on s’explique.

Tenho um desvio de afetividade. Porém, não me considero gay. Por que usar uma expressão e não a outra? Expliquei rapidamente a questão em meu primeiro post, mas ela é bem complicada e, portanto, gostaria de explicá-la melhor. Apenas uma ressalva: é muito mais fácil dizer “eu sou gay” do que “eu tenho um desvio de afetividade”. Então, for the sake of brevity, posso me referir a mim mesmo como gay. Mas, repito, não me considero gay. Por quê?

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Le début d’un temps nouveau.

Olá. Este é meu primeiro post. Por razões que devem ser claras à maioria dos leitores – e, se não o forem, podem me perguntar e eu explico -, escrevo neste blog com um pseudônimo: Mateus Silva. Um dia, quem sabe, escreverei com meu nome verdadeiro. Tenho mais ou menos 30 anos. Sou católico praticante. O que significa ser “católico praticante”? Não sei ao certo. É possível que alguns católicos não me considerem praticante. Em contrapartida, é possível que outros me considerem um católico fundamentalista. Tudo depende do ponto de vista. O certo é que vou à missa todos os domingos e, às vezes, durante a semana, ainda que não comungue sempre e ainda que passe semanas sem me confessar. Sou um pecador. Faço oração todos os dias. Rezo o terço algumas vezes por semana. Acredito na verdade e na razoabilidade da doutrina da Igreja Católica, inclusive no que diz respeito a sexo e relacionamentos.

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